sábado, 23 de abril de 2011

PARADOXO DO NOSSO TEMPO



Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame... se ame muito.
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro. Por isso, valorize sua familia e as pessoas que estão ao seu lado, sempre.

(George Carlin)

FELIZ PÁSCOA À TODOS

terça-feira, 19 de abril de 2011

19 DE ABRIL - DIA DO ÍNDIO


Entra e vê os mil pequenos entraves 
e depois escuta, põe teu ouvido no chão: 
e a música da minha flauta transversa 
ou da minha flauta mambi - 
      dessas de índio brasileiro, 
           de cócoras, 
distraindo a solidão das borboletas. 
 


É a música da minha flauta transversa 
que talvez te atravesse e te acorde 
no meio do oceano: 
    ela vai demarcar a tua área, 
vai erguer as paredes de tua ocasa, 
reunir teus peixes, bichos, carrapatos, 
curar a tua maleita, tua doença de branco 
e te fazer sonhar com a voz de uma iara 
esquecida numa curva de rio 
ou num grotão de cerrado.


Mas vai também te vestir de penas, 
como se fosses mesmo o inesperado chefe 
de uma tribo perdida na linguagem.


(Gilberto Mendonça Teles)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

NÃO ACREDITO EM BARBEIROS


Um homem foi ao barbeiro. E enquanto tinha seus cabelos cortados conversava com ele. Falava da vida e de Deus. Dai a pouco, o barbeiro incrédulo não aguentou e falou: 

- Deixa disso, meu caro, Deus não existe! 

- Por quê? 

- Ora, se Deus existisse não haveria tantos miseráveis, passando fome! Olhe em volta e veja quanta tristeza. É só andar pelas ruas e enxergar! 

- Bem, esta é a sua maneira de pensar, não é? 

- Sim, claro! 

O freguês pagou o corte e foi saindo, quando avistou um maltrapilho imundo, com longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço. Não aguentou, deu meia volta e interpelou o barbeiro: 

- Sabe de uma coisa? Não acredito em barbeiros! 

- Como? 

- Não acredito. Pois se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas! 

- Ora, eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim! 

Ao que o homem respondeu: 

- Entendeu agora? 

(Autor Desconhecido)

quinta-feira, 14 de abril de 2011


A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo,
 sem tirá-las do meu coração,
sorrir às pessoas que não gostam de mim,
 para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam,
calar-me para ouvir,
 aprender com meus erros,
afinal, eu posso ser sempre melhor!
Fazer de conta que tudo está bem
 quando isso não é verdade,
Para que eu possa acreditar
 que tudo vai mudar,
a abrir minhas janelas para o amor.
E não temer o futuro,
A lutar contra as injustiças.
Sorrir quando o que mais desejo
 é gritar todas as minhas dores para o mundo.
Fazer de conta que tudo está bem
 quando isso não é verdade.
Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar.
(Charles Chaplin)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O MAPA


Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...


(É nem que fosse o meu corpo!)


Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...


Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)


Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso


Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)


E talvez de meu repouso...
(Mário Quntana)

domingo, 10 de abril de 2011

BEM-QUERER


Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais

E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais

E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais

E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais

E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais

E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás

(Chico Buarque)


sexta-feira, 8 de abril de 2011

DESEJO


Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu. 

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 3 de abril de 2011

13 LINHAS PARA VIVER


1. Gosto de você não por quem você é, mas por quem sou quando estou contigo.
2. Ninguém merece tuas lágrimas, e quem as merece não te fará chorar.
3. Só porque alguém não te ama como você quer, não significa que este alguém não te ame com todo o seu ser.
4. Um verdadeiro amigo é quem te pega pela mão e te toca o coração.
5. A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca vai poder tê-lo.
6. Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiver triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso.
7. Pode ser que você seja somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa você seja o mundo.
8. Não passe o tempo com alguém que não esteja disposto a passar o tempo contigo.
9. Quem sabe Deus queira que você conheça muita gente errada antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheça esta pessoa saibas estar agradecido.
10. Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.
11. Sempre haverá gente que te machuque, assim que o que você tem que fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem você confia duas vezes.
12. Converta-se em uma pessoa melhor e tenha certeza de saber quem você é antes de conhecer alguém e esperar que essa pessoa saiba quem você é.
13. Não se esforce tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperamos.

(Gabriel Garcia Marquez)

quarta-feira, 30 de março de 2011

FRESTA


Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura.

(Fernando Pessoa)

domingo, 27 de março de 2011

DONA CILA





De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minha alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu

Se queres partir, ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu to pronta
Me colha madura do pé

Salve, salve essa nega
Que axé ela tem
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
Cila pode ir tranquila
Teu rebanho tá pronto

Teu olho que brilha e não para
Tuas mãos de fazer tudo e até
A vida que chamo de minha
Neguinha, te encontro na fé

Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer

Ó meu pai do céu, limpe tudo aí
Vai chegar a rainha
Precisando dormir
Quando ela chegar
Tu me faça um favor
Dê um banto a ela, que ela me benze aonde eu for

O fardo pesado que levas
Desagua na força que tens
Teu lar é no reino divino
Limpinho cheirando a alecrim


(Maria Gadú)

27 DE MARÇO - DIA DO CIRCO

DAR CORDA À FANTASIA


Passo os dias pendurado no circo da imaginação
Sou trapezista da arte falada no realejo da alegria
Pobre saltimbanco sem eira nem beira de alma vazia
Palhaço sem direito a ego, sentimento ou emoção.

Dou voltas e cambalhotas, sou ginasta acrobata
Domador de feras, na sua grande maioria humanas
Hipnotizador de serpentes, ou será de iguanas
Sou o rei da macacada, fala barato, humano/primata.

Num golpe de magia, sou gênio do surrealismo
Tenho mente inquieta, sou artista, ou idealista
O que trago na cartola é o dom do ilusionismo.

Há um malabarismo no ato da sobrevivência
Um faquir lançador de acutilantes arremessos
Mas o espetáculo é pago, tenham lá paciência… 

(Maria Fernanda Esteves)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

LIVRE ARBÍTRIO




A vida já me deu
tapa na cara,
já pagou promessas,
já soltou amarras!

Já me deu avisos,
horas de improvisos,
falta de juízo,
tapou meus ouvidos...

Já me fez sorrir,
já me fez chorar.
Fez na corda bamba
eu aprender andar!

Fez de mim comédia,
riu da minha tragédia.
Fez do meu rascunho,
sua enciclopédia!

Adoçou minha boca
e depois tirou.
Só o gosto amargo
na boca deixou.

Deu-me a direção,
cegou-me com a venda.
O meu coração
quis de oferenda!




Deu-me o livre arbítrio
pra acertar e errar.
Jogou-me no poço
pra aprender lutar!

Deu-me passe livre,
vitórias e tropeços!!
Cada fim de linha
um novo recomeço!


(Mell Glitter)

SEMEANDO ESTRELAS

O que é a sensibilidade de um artista!!!!

O Semeador de Estrelas é uma estátua localizada em Kaunas, Lituânia. 

Durante o dia passa despercebida, só mais uma herança da época soviética.


Mas quando a noite chega, a estátua justifica seu nome:


Que possamos ver, sempre além daquilo que está diante de nossos olhos...


Presente do querido amigo Marcelo Cardoso. Obrigada amigo!!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Bela Flor, Maria Gadu

VALSA DOS CLOWNS


Em toda canção
O palhaço é um charlatão
Esparrama tanta gargalhada
Da boca para fora
Dizem que seu coração pintado
Toda tarde de domingo chora

Abra o coração
Do palhaço da canção
Eis que salta outro farrapo humano
E morre na coxia
Dentro do seu coração de pano
Um palhaço alegre se anuncia

A nova atração
Tem um jovem coração
Que apertado por estreito laço
Amanhece partido
Dentro dele sai mais um palhaço
Que é um palhaço com um olhar caído

E esse charlatão
Vai cantar sua canção
Que comove toda a arquibancada
Com tanta agonia
Dentro dele um coração folgado
Cantarola uma outra melodia

Em toda canção
O palhaço é um charlatão
E esse charlatão
Vai cantar uma canção

(Chico Buarque)
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segunda-feira, 17 de maio de 2010

A FITA MÉTRICA DO AMOR


Como se mede uma pessoa?
Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.
Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu,
quando trata você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena pra você quando só pensa em si mesmo,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento
em que teria que demonstrar o que há de mais importante
entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante pra você
quando se interessa pela sua vida,
quando busca alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger
por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza
dentro de um relacionamento,
pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas:
será ela que mudou
ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor
que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor
que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade:
as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão,
e ao recolhê-la inesperadamente,
se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos
que tornam uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho.

(Martha Medeiros)

quinta-feira, 11 de março de 2010

BLUES DA PIEDADE


Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem


(Cazuza)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

NA VIDA...


Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não arrisca uma cor nova e
não fala com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o escuro ao invés do claro e os pingos nos "is"
a um redemoinho de emoções, exatamente a que resgata
o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e coração aos tropeços.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho.

Morre lentamente quem não se permite,
pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte,
ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
nunca pergunta sobre um assunto que desconhece
e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em suaves porções, recordamos sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior do que o simples ar que respiramos.

Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira FELICIDADE.

(Pablo Neruda)